domingo, 27/05/2001
CENTÉSIMO OCTAGÉSIMO DIA
(seis meses sem fumar, um ano de tortura).
Hoje
tenho vários motivos para comemorar.
Está
chegando o inverno.
E com ele
chegam os queijos, vinhos, sopas, chocolates quentes, festas juninas.
Todas
aquelas coisas que faz o Brasil inteiro querer sentir um pouquinho de frio em
Gramado e Canela.
É domingo
e não tenho que trabalhar.
Hoje
completo seis meses sem fumar.
Parece
mentira. Um tormento que atravessou um ano inteiro com apenas alguns momentos
de trégua.
Sim, além
de tudo isso hoje é meu quadragésimo sexto aniversário.
Um ano se
passou desde a minha tresloucada decisão de parar de fumar.
Mas o
mais importante, o verdadeiro motivo pra comemorar é a excepcional vitória do
meu glorioso Sport Clube Internacional sobre o Juventude de Caxias do Sul. Com
o placar esmagador de oito a um o Inter conquista de mais um campeonato gaúcho.
Isto tem
que ser celebrado.
Meu
aniversário vai ser uma festa colorada.
Não que
eu seja fanático por futebol, mas um escore deste não é sempre que acontece e
nem com todos os times, não é mesmo?
Todos os
detalhes da festa já estão acertados. Desta vez será apenas uma reunião íntima
e não uma festança para o grande público como foi no ano passado.
Dei uma
escapada, e me tranquei aqui no escritório, porque tenho que contar pra vocês
um acontecimento inesperado que ocorreu hoje no final da tarde.
Quase
tive uma recaída.
Foi por
muito pouco. Levei um susto violento.
Foi na
saída do jogo do Inter. Eu tava no meio daquele mar de camisetas e bandeiras
vermelhas. Completamente envolvido por aquela prodigiosa explosão emocional que
emanava da torcida colorada. Tava tomado pela magnífica e antiecológica
sensação de aniquilar com o periquito. Mandar o verdão de volta para a gaiola
do Alfredo Jaconi.
Descuidadamente,
quase aceitei um inocente cigarro gentilmente oferecido por um amigo de
torcida.
Cheguei a
colocar o cigarro na boca.
Vi a
chama do isqueiro aproximando-se e no último momento, como um goleiro que
defende um pênalti atirando-se para o canto certo, eu recusei o fogo. Devolvi o
cigarro.
Até agora
não sei nem como aconteceu aquele pequeno momento de distração. Tampouco como
resisti a tentação de deixar que o amigo acendesse o precioso cigarrinho.
Mas
consegui.
Continuo
invicto rumo ao título de ex-fumante.
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