domingo, 22 de outubro de 2017

CENTÉSIMO OCTAGÉSIMO DIA (seis meses sem fumar, um ano de tortura).

domingo, 27/05/2001

CENTÉSIMO OCTAGÉSIMO DIA

(seis meses sem fumar, um ano de tortura).

 

Hoje tenho vários motivos para comemorar.

Está chegando o inverno.

E com ele chegam os queijos, vinhos, sopas, chocolates quentes, festas juninas.

Todas aquelas coisas que faz o Brasil inteiro querer sentir um pouquinho de frio em Gramado e Canela.

É domingo e não tenho que trabalhar.

Hoje completo seis meses sem fumar.

Parece mentira. Um tormento que atravessou um ano inteiro com apenas alguns momentos de trégua.

Sim, além de tudo isso hoje é meu quadragésimo sexto aniversário.

Um ano se passou desde a minha tresloucada decisão de parar de fumar.

Mas o mais importante, o verdadeiro motivo pra comemorar é a excepcional vitória do meu glorioso Sport Clube Internacional sobre o Juventude de Caxias do Sul. Com o placar esmagador de oito a um o Inter conquista de mais um campeonato gaúcho.

Isto tem que ser celebrado.

Meu aniversário vai ser uma festa colorada.

Não que eu seja fanático por futebol, mas um escore deste não é sempre que acontece e nem com todos os times, não é mesmo?

Todos os detalhes da festa já estão acertados. Desta vez será apenas uma reunião íntima e não uma festança para o grande público como foi no ano passado.

Dei uma escapada, e me tranquei aqui no escritório, porque tenho que contar pra vocês um acontecimento inesperado que ocorreu hoje no final da tarde.

Quase tive uma recaída.

Foi por muito pouco. Levei um susto violento.

Foi na saída do jogo do Inter. Eu tava no meio daquele mar de camisetas e bandeiras vermelhas. Completamente envolvido por aquela prodigiosa explosão emocional que emanava da torcida colorada. Tava tomado pela magnífica e antiecológica sensação de aniquilar com o periquito. Mandar o verdão de volta para a gaiola do Alfredo Jaconi.

Descuidadamente, quase aceitei um inocente cigarro gentilmente oferecido por um amigo de torcida.

Cheguei a colocar o cigarro na boca.

Vi a chama do isqueiro aproximando-se e no último momento, como um goleiro que defende um pênalti atirando-se para o canto certo, eu recusei o fogo. Devolvi o cigarro.

Até agora não sei nem como aconteceu aquele pequeno momento de distração. Tampouco como resisti a tentação de deixar que o amigo acendesse o precioso cigarrinho.

Mas consegui.

Continuo invicto rumo ao título de ex-fumante.

 

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