segunda-feira, 03/12/2001
PRIMEIRO ANO (um ano).
Tô livre.
BRASIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIL!
Minha
assinatura na telinha.
Minha
foto no Jornal Nacional.
Completamente
livre.
Entrevistado
nas páginas amarelas da Veja.
Convite
para dar uma entrevista no Programa do Jô.
Um ano de
tortura se encerra hoje.
Tortura
nunca mais.
Que
felicidade.
Livre!
Livre!
Fique
sabendo que todas as estatísticas estão a meu favor.
Menos uma
ou duas que são as únicas exceções.
Por causa
de meia dúzia de babacas que voltaram a fumar depois de um ano de esforço
cotidiano.
Meia
dúzia de fracotes que desertaram.
Relataram
que depois de um ano de privação e abstinência total, se deixaram seduzir outra
vez pelo hábito do fumo.
As
alegações eram as mais variadas possíveis.
Uns
disseram que era devido o contato próximo com fumantes. Outros alegaram que
viram um filme no qual o protagonista fumava mais que o Humphrey Bogart.
Inclusive
teve um que contou que saiu como um louco do cinema. Abandonou o filme depois
que o mocinho acendeu o quarto cigarro. Foi voando para a primeira tabacaria
que encontrou. Comprou um maço de cigarros e sentou no meio fio para fumar.
Disse que só se deu conta do que havia feito, depois de ter fumado.
Foram
atingidos pela propaganda subliminar.
Tem a
turma que decidiu voltar a fumar.
Todos
juram que não estavam com a mínima vontade de fumar.
Dizem que
não foi a propaganda.
Foi uma
decisão consciente. Um exercício de reflexão e liberdade.
Balela.
Não
suportaram viver sem o cigarro.
E eu?
Será que
eu aguentarei firme?
Será que
vou amarelar?
Conscientemente,
penso que o cara tem que ser muito burro pra voltar a fumar.
Só uma
verdadeira anta voltaria a fumar depois de passar por este tormento
sobre-humano.
Se eu
soubesse tudo que teria que passar... Ah, se eu imaginasse...
Se
tivesse olhado numa bola de cristal, não sei se teria feito o que fiz.
É uma
coisa David e Golias.
É a
kriptonita verde contra os poderes do super-homem.
É a
barata contra o Rodox.
Só eu sei
o que passei neste interminável ano.
Sem a
menor sombra de dúvida, foi mais longo ano de toda a minha vida.
Mas, como
o ano é feito de tempo e o tempo, inexoravelmente, tem que passar, este ano
também passou.
Foi-se.
E eu me
confirmei como área livre de cigarro.
Saio do
outro lado purificado e, o que é melhor: vitorioso.
Eu devia
mesmo fazer uma faixa de ex-fumante para mim.
Mister
Ex-fumante Universo.
Eu devia
comprar um presente pra mim mesmo.
Eu devia
promover uma mega festa em minha própria homenagem.
Eu devia
encomendar uma escultura. Mandar fazer um busto meu.
Daí,
conseguir com o síndico uma autorização especial pra colocar na entrada do meu
prédio.
Ia ficar
lindo.
Eu seria
amado pelas crianças e adorado pelos pais.
Seria um
exemplo para o bairro inteiro.
Vou criar
um blog contando como parar de fumar em dez lições. Um passo à passo.
Vou
colocar no YouTube pequenos vídeos com depoimentos meus sobre meu próprio
feito.
Vou
aproveitar para colocar outras dicas.
Coisas
variadas que eu sempre tive vontade de dizer sobre moda, sobre alimentação.
Sobre como ser feliz.
Sobre o
que eu realmente acho de certas coisas e de certas pessoas.
Não.
Acho que
isso já não vai ficar muito bem num blog.
Sabem o
que significa atingir a marca de um ano sem fumar?
Escapo da
indefinição. Já posso ser chamado de ex-fumante.
Depois de
um ano o sujeito vai ter que pensar muito bem antes de fazer a bobagem de
voltar a fumar.
Daí, só
cagando a pau, como diria o meu avô.
Mas não
vai ser o meu caso.
Isola.
Nunca...
Podem
escrever nas agendas de vocês: juro solenemente que nunca mais, em toda a minha
vida, eu vou colocar um cigarro na boca.
Nunca
mais.
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