terça-feira, 24 de outubro de 2017

DÉCIMO QUINTO DIA.

sexta-feira, 15/12/2001
O avião não caiu e eu cheguei aos Estados Unidos.
Cheguei na terra de Marlboro. Na Big Apple.
E sem fumar.
Os Estados Unidos são a glória dos não-fumantes.
O paraíso.
Em primeiro lugar porque ninguém mais fuma.
E depois, os lugares para fumantes são tão poucos e tão restritos que a gente se sente livre do vício. Livre da fumaça e do cigarro.
Senti-me moderno e sintonizado com minha época.
Senti-me completamente americano.
Logo eu que, como oitenta por cento dos habitantes planeta, sempre tive uma postura anti-americanista. Sempre considerei que eles eram um povo imperialista, belicista, capitalista selvagem e explorador da humanidade.
E agora me vejo admirando um completo conjunto de leis que protegem aqueles que querem se conservar longe do cigarro.
Eles estão realizando um combate interno que não é contra os fumantes. É contra o fumo. Contra uma droga nociva que causa doenças que causa mortes.
Na real, perceberam que o cigarro causa um rombo enorme no bolso deles. E se toca no bolso eles param pra pensar.
É um conjunto de leis para proteger os não-fumantes. Não querem que eles se transformem em fumantes passivos.
Querem conter a fortuna que gastam com a saúde pública cuidando de doenças relacionadas ao uso do cigarro.
Tive que tirar o chapéu pro Tio Sam.
A gente entra em supermercados, restaurantes, ferragens, barbearias, sex-shop e em nenhum lugar é permitido fumar.
O não-fumante, ou um ex-fumante de apenas catorze dias como eu, sente-se livre para andar pelas ruas. Pelas praças. Nos locais fechados. Sem se preocupar em evitar o cheiro de cigarro. Ser ver cinzeiros atopetados de tocos de cigarros apagados.
Eu senti aquilo como se eles tivessem feito pra mim.
Sabiam que eu estava chegando e aboliram o fumo. Tudo para me agradar. Só porque estou dando um exemplo para a humanidade.
Em minha homenagem proibiram os cigarros em todos os lugares públicos. Só pra evitar que eu caia na tentação de experimentar um cigarro norte-americano.
Bem que eu pensei nisso, mas as restrições são tantas que acabei desistindo.
A primeira vista, parece mais fácil um estrangeiro como eu comprar uma arma calibre 12 ou uma caixa de granadas do que comprar um maço de cigarros.
Só falta você ter de preencher uma ficha dizendo quando e onde você pretende acender um cigarro. Se você vai estar sozinho quando fumar ou se vai ter alguma criança por perto.
E o melhor de tudo é que a lei funciona.
Não se fuma e pronto.
Achei inacreditável quando soube que até na agência de publicidade é proibido fumar. Nem no banheiro. Em lugar algum das dependências da agência.
Fumar somente num box isolado que fica no terraço do prédio de 47 andares.
É pra gente desistir de fumar mesmo.
O fumante não tem saída.
Até no Central Park é proibido fumar.
E dizem que a Associação dos Vizinhos Não-Fumantes e Ex-Fumantes de Vizinhos Fumantes, entrou na justiça com uma petição. Eles querem a proibição de fumar cigarro em casa porque a fumaça do cigarro pode entrar na casa de uma pessoa que não fuma. Poderia prejudicar seriamente a saúde desta pessoa.
As pesquisas afirmam que tem uma grande chance de passar.
Eles não estão brincando em serviço.
Não é como no Brasil que o Governo só toma medidas paliativas e prefere não bater de frente com as companhias de cigarro.

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