sábado, 16/12/2001
Sorry, periferia, eu tava praticando meu
jogging nas belíssimas alamedas do Central Park.
Nessa época do ano o clima já apresenta
os primeiros sinais de neve. A previsão anuncia um inverno rigoroso.
E, como nos filmes, o Central Park se mantém
como um suculento oásis no meio dessa metrópole internacional.
Foi andando no Central Park que me
surgiu (em inglês perfeito), o seguinte brilhante pensamento: quem nasceu
primeiro o cigarro ou o isqueiro?
Claro, que vocês vão dizer que foi o
cigarro.
Todo mundo sabe que foi o cigarro
mesmo.
Mas quem nasceu primeiro o cigarro ou
o fósforo?
Ah. Esta já é mais difícil, né?
Já mereceria, pelo menos, uma tese de
mestrado.
Qual dessas duas coisas foi inventada
primeiro pelo cérebro privilegiado do homem?
Fica parecido com a clássica pergunta
sobre quem nasceu primeiro: a galinha ou o ovo?
Vira um dilema para filósofos.
Também sobre a minha original pergunta
podemos filosofar.
Vamos enunciar novamente minha
pergunta: quem nasceu primeiro o cigarro ou o fósforo?
Vamos pegar o fósforo porque é mais
difícil de saber a resposta do que com o isqueiro. Porque, sabidamente, o
isqueiro é um advento posterior.
Então, está colocado nosso dilema que
poderia ser apresentado na forma do seguinte problema:
Quem é mais importante: o cigarro ou o
fósforo?
Agora chegamos num momento zen. Esse é
o elo entre o cigarro e o fósforo.
Acho que eu estou tão idiotizado pela
vontade de fumar que só consigo pensar em idéias idiotas.
Mas, supondo que você é fumante. Supondo
que você está andando na rua. Supondo que é muito tarde. Madrugada. Ninguém
mais na rua. Tá tudo fechado.
Você tem um cigarro. Tá louco pra
fumar e tem cigarros.
Mas... não tem fogo.
Procura nos bolsos. Não tem fósfoto.
De adianta seu cigarro?
Sabe o que você pode fazer com ele?
Quer que eu diga mesmo?
Mas, por outro lado, se você está na
rua, de madrugada, na mesma situação. Ninguém na rua, nenhum lugar aberto. Você
não tem dinheiro. Mas tem no bolso uma caixa de fósforos. Tá louco de vontade
de fumar. Mas não tem um mísero cigarrinho.
Procura baganas pelo chão, mas não
tem. O DMLU acabou de passar varrendo tudo.
Do que lhe adianta a caixa de
fósforos?
Filosofia Zen.
Enigma totalmente zen.
Como é zen a relação entre o fumante e
o cigarro.
Totalmente zen.
Um depende total e integralmente do
outro. Um só existe com e através do outro. É zen.
Só quem não está zen sou eu.
Tô louco.
Tô ficando abobado.
Tenho que fumar. Só um cigarrinho.
Unzinho só. Só uma tragadinha. Não posso mais... não agüento mais.
- Vou me trancar no banheiro.
Não pra fumar porque aqui eles têm
detector de fumaça por toda parte. Vou me trancar pra escapar da vontade
desesperada de fumar que eu estou sentindo.
Me diz como é que pode?
Como é que pode o cara, no meio de uma
corrida, num parque maravilhoso. Num lugar que o cara não conhece. Cheio de
verde. Cheio de crianças. Cheio de baby-sitters americanas com uns baita seios,
Nem assim o cara consegue pensar em cigarro?
Imaginem, o cara sai de Porto Alegre
com tudo pago para passar três dias em Nova Iorque. Consegue tempo pra correr
no parque mais famoso do mundo. Nada menos do que o Central Park. A pracinha da
megalópole mais famosa do mundo. E fica pensando em fumar?
Por favor.
A partir de amanhã vou colocar minha
camisa de força. Vou botar uma focinheira pra vir correr no Central Park.
Tenho que resistir.
- Não devo fumar. Não devo fumar. Não
devo fumar. Não devo fumar. Não devo fumar. Não devo fumar. Não devo fumar. Não
devo fumar. Não devo fumar. Devo fumar. Não. Não devo fumar. Não devo fumar.
Não devo fumar...
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