terça-feira, 21 de novembro de 2017

DÉCIMO DIA.

sexta, 16/6/2000

Hoje atendi ao telefone pela primeira vez nestes dez dias.
Até agora havia me faltado coragem porque nunca em minha vida atendi um telefonema sem acender um cigarro.
Durante uma conversa de, digamos, três minutos, eu conseguia fumar dois cigarros.
Mas, foi mais fácil do que eu pensava.
Só procurei pelo cigarro umas onze vezes.
E roí um pouco as unhas.
Mas depois foi só colocar mertiolate que logo pararam de sangrar.
Era o pessoal da agência querendo saber se eu preferia me demitir ou se poderiam caracterizar como abandono do emprego. Chegamos num acordo: entro em férias por tempo indeterminado enquanto atravesso esta fase difícil. Só não consegui me livrar de um compromisso que não tinha como ser desmarcado: uma importante reunião agendada para o final do mês. Negócio dos grandes. Big business. Se fosse num filme de Hollywood seria uma reunião com um monte de empresários japoneses. Enfim, era um negócio impossível de se perder.
Combinado.
Mesmo porque até o final do mês espero estar sarado, senão do vício, pelo menos da cólera assassina. Porque, afinal de contas, não seria educado de minha parte atacar nem aos japoneses (o que, aliás, poderia ser beeem perigoso), nem tampouco o presidente da agência.
Ainda bem que compreenderam o meu problema. Nada como trabalhar num lugar menos burocrático. Uma empresa mais aberta. Com colegas mais sensíveis a este tipo de situação. Um lugar onde o bem-estar da pessoa é mais importante que a conta bancária do negócio.
Quer dizer, não é bem assim.
Mas é inegável que na agência tem espaço pra compreender um cara em crise porque está parando de fumar. Pelo menos por certo tempo, tem. Ainda mais se o cara gasta suas próprias férias pra tirar um tempo pra si mesmo. E eles ainda passam por bonzinhos e compreensíveis.
Mas, enfim, já trabalhei em lugares piores.
Na locadora... depois como estagiário no início de carreira... estagiário, uma ova.
Levei pouquíssimo tempo pra entender que “estagiário” era um eufemismo para guri-do-xerox, cara-do-cafezinho, office-boy, quem-é-esse-aí e goleiro do time.
Trabalhei também no marketing de uma rede de supermercados. Meu cargo era Auxiliar de Marqueting, mas meu trabalho mesmo era fazer aqueles cartazes com os preços em promoção.
A agência até que é legal. Ainda mais quando posso ficar um mês sem aparecer naquela fábrica de doidos e fumantes inveterados. É bom ficar longe daquele antro de genialidade. Me afastar um tempo do ambiente de criatividade e luxo.
Se parar de fumar era uma verdadeira tortura chinesa, tirar férias, mesmo em ficando socado em casa, era o máximo.   
Hoje atendi ao telefone pela primeira vez nestes dez dias.
Até agora havia me faltado coragem porque nunca em minha vida atendi um telefonema sem acender um cigarro.
Durante uma conversa de, digamos, três minutos, eu conseguia fumar dois cigarros.
Mas, foi mais fácil do que eu pensava.
Só procurei pelo cigarro umas onze vezes.
E roí um pouco as unhas.
Mas depois foi só colocar mertiolate que logo pararam de sangrar.
Era o pessoal da agência querendo saber se eu preferia me demitir ou se poderiam caracterizar como abandono do emprego. Chegamos num acordo: entro em férias por tempo indeterminado enquanto atravesso esta fase difícil. Só não consegui me livrar de um compromisso que não tinha como ser desmarcado: uma importante reunião agendada para o final do mês. Negócio dos grandes. Big business. Se fosse num filme de Hollywood seria uma reunião com um monte de empresários japoneses. Enfim, era um negócio impossível de se perder.
Combinado.
Mesmo porque até o final do mês espero estar sarado, senão do vício, pelo menos da cólera assassina. Porque, afinal de contas, não seria educado de minha parte atacar nem aos japoneses (o que, aliás, poderia ser beeem perigoso), nem tampouco o presidente da agência.
Ainda bem que compreenderam o meu problema. Nada como trabalhar num lugar menos burocrático. Uma empresa mais aberta. Com colegas mais sensíveis a este tipo de situação. Um lugar onde o bem-estar da pessoa é mais importante que a conta bancária do negócio.
Quer dizer, não é bem assim.
Mas é inegável que na agência tem espaço pra compreender um cara em crise porque está parando de fumar. Pelo menos por certo tempo, tem. Ainda mais se o cara gasta suas próprias férias pra tirar um tempo pra si mesmo. E eles ainda passam por bonzinhos e compreensíveis.
Mas, enfim, já trabalhei em lugares piores.
Na locadora... depois como estagiário no início de carreira... estagiário, uma ova.
Levei pouquíssimo tempo pra entender que “estagiário” era um eufemismo para guri-do-xerox, cara-do-cafezinho, office-boy, quem-é-esse-aí e goleiro do time.
Trabalhei também no marketing de uma rede de supermercados. Meu cargo era Auxiliar de Marqueting, mas meu trabalho mesmo era fazer aqueles cartazes com os preços em promoção.
A agência até que é legal. Ainda mais quando posso ficar um mês sem aparecer naquela fábrica de doidos e fumantes inveterados. É bom ficar longe daquele antro de genialidade. Me afastar um tempo do ambiente de criatividade e luxo.

Se parar de fumar era uma verdadeira tortura chinesa, tirar férias, mesmo em ficando socado em casa, era o máximo.   

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