sexta, 16/6/2000
Hoje atendi ao telefone pela primeira
vez nestes dez dias.
Até agora havia me faltado coragem
porque nunca em minha vida atendi um telefonema sem acender um cigarro.
Durante uma conversa de, digamos, três
minutos, eu conseguia fumar dois cigarros.
Mas, foi mais fácil do que eu pensava.
Só procurei pelo cigarro umas onze
vezes.
E roí um pouco as unhas.
Mas depois foi só colocar mertiolate
que logo pararam de sangrar.
Era o pessoal da agência querendo
saber se eu preferia me demitir ou se poderiam caracterizar como abandono do
emprego. Chegamos num acordo: entro em férias por tempo indeterminado enquanto
atravesso esta fase difícil. Só não consegui me livrar de um compromisso que
não tinha como ser desmarcado: uma importante reunião agendada para o final do
mês. Negócio dos grandes. Big business. Se fosse num filme de Hollywood seria uma
reunião com um monte de empresários japoneses. Enfim, era um negócio impossível
de se perder.
Combinado.
Mesmo porque até o final do mês espero
estar sarado, senão do vício, pelo menos da cólera assassina. Porque, afinal de
contas, não seria educado de minha parte atacar nem aos japoneses (o que,
aliás, poderia ser beeem perigoso), nem tampouco o presidente da agência.
Ainda bem que compreenderam o meu
problema. Nada como trabalhar num lugar menos burocrático. Uma empresa mais
aberta. Com colegas mais sensíveis a este tipo de situação. Um lugar onde o
bem-estar da pessoa é mais importante que a conta bancária do negócio.
Quer dizer, não é bem assim.
Mas é inegável que na agência tem
espaço pra compreender um cara em crise porque está parando de fumar. Pelo
menos por certo tempo, tem. Ainda mais se o cara gasta suas próprias férias pra
tirar um tempo pra si mesmo. E eles ainda passam por bonzinhos e
compreensíveis.
Mas, enfim, já trabalhei em lugares
piores.
Na locadora... depois como estagiário
no início de carreira... estagiário, uma ova.
Levei pouquíssimo tempo pra entender
que “estagiário” era um eufemismo para guri-do-xerox, cara-do-cafezinho,
office-boy, quem-é-esse-aí e goleiro do time.
Trabalhei também no marketing de uma
rede de supermercados. Meu cargo era Auxiliar de Marqueting, mas meu trabalho
mesmo era fazer aqueles cartazes com os preços em promoção.
A agência até que é legal. Ainda mais
quando posso ficar um mês sem aparecer naquela fábrica de doidos e fumantes
inveterados. É bom ficar longe daquele antro de genialidade. Me afastar um
tempo do ambiente de criatividade e luxo.
Se parar de fumar era uma verdadeira
tortura chinesa, tirar férias, mesmo em ficando socado em casa, era o
máximo.
Hoje atendi ao telefone pela primeira
vez nestes dez dias.
Até agora havia me faltado coragem
porque nunca em minha vida atendi um telefonema sem acender um cigarro.
Durante uma conversa de, digamos, três
minutos, eu conseguia fumar dois cigarros.
Mas, foi mais fácil do que eu pensava.
Só procurei pelo cigarro umas onze
vezes.
E roí um pouco as unhas.
Mas depois foi só colocar mertiolate
que logo pararam de sangrar.
Era o pessoal da agência querendo
saber se eu preferia me demitir ou se poderiam caracterizar como abandono do
emprego. Chegamos num acordo: entro em férias por tempo indeterminado enquanto
atravesso esta fase difícil. Só não consegui me livrar de um compromisso que
não tinha como ser desmarcado: uma importante reunião agendada para o final do
mês. Negócio dos grandes. Big business. Se fosse num filme de Hollywood seria uma
reunião com um monte de empresários japoneses. Enfim, era um negócio impossível
de se perder.
Combinado.
Mesmo porque até o final do mês espero
estar sarado, senão do vício, pelo menos da cólera assassina. Porque, afinal de
contas, não seria educado de minha parte atacar nem aos japoneses (o que,
aliás, poderia ser beeem perigoso), nem tampouco o presidente da agência.
Ainda bem que compreenderam o meu
problema. Nada como trabalhar num lugar menos burocrático. Uma empresa mais
aberta. Com colegas mais sensíveis a este tipo de situação. Um lugar onde o
bem-estar da pessoa é mais importante que a conta bancária do negócio.
Quer dizer, não é bem assim.
Mas é inegável que na agência tem
espaço pra compreender um cara em crise porque está parando de fumar. Pelo
menos por certo tempo, tem. Ainda mais se o cara gasta suas próprias férias pra
tirar um tempo pra si mesmo. E eles ainda passam por bonzinhos e
compreensíveis.
Mas, enfim, já trabalhei em lugares
piores.
Na locadora... depois como estagiário
no início de carreira... estagiário, uma ova.
Levei pouquíssimo tempo pra entender
que “estagiário” era um eufemismo para guri-do-xerox, cara-do-cafezinho,
office-boy, quem-é-esse-aí e goleiro do time.
Trabalhei também no marketing de uma
rede de supermercados. Meu cargo era Auxiliar de Marqueting, mas meu trabalho
mesmo era fazer aqueles cartazes com os preços em promoção.
A agência até que é legal. Ainda mais
quando posso ficar um mês sem aparecer naquela fábrica de doidos e fumantes
inveterados. É bom ficar longe daquele antro de genialidade. Me afastar um
tempo do ambiente de criatividade e luxo.
Se parar de fumar era uma verdadeira
tortura chinesa, tirar férias, mesmo em ficando socado em casa, era o
máximo.
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