quinta, 15/6/2000
A vida tem vários gostos.
Alguns insossos, outros bons. Uns
picantes. Outros acres, amargos. Gostos extraordinários e gostos comuns.
Mas, meu amigo, pode acreditar que sem
o cigarro a existência fica completamente desprovida de gosto, desbotada.
Totalmente sem sabor.
Ou melhor, sem sabores.
Porque é o cigarro que dá gosto aos
outros gostos.
Dizem os entendidos e pesquisadores
dos malefícios do fumo que o cigarro diminui consideravelmente a sentido do
paladar. O fumante inveterado perde uma boa porcentagem de sua capacidade de
sentir o gosto das coisas.
- Mentira!
O cigarro acentua o gosto de todas as
outras coisas...
Antigamente, quando eu era um fumante
inveterado e não este deprimido invertebrado que sou hoje...
Esperem.
Para tudo!
Estou me dando conta que estou
pensando como fumante.
Já abandonei este maldito vício
destruidor há quase duas semanas e ainda estou pensando como um verdadeiro
fumante.
Que absurdo!
Estou defendendo o cigarro!
Não acreditem em nada disso que eu
afirmei antes.
Para o bem da verdade, devo deixar
claro, que a vida não perdeu o gosto.
O cigarro não é o único e soberano
gosto da vida.
A vida, meus caros fabricantes de
cigarro, tem muitos outros gostos atraentes e deliciosos. A natureza, meus
caros, adeptos do fumo, inventou gostos e sabores tão deliciosos quanto
infinitos.
A minha vida apenas mudou de gosto.
Agora, ao invés do sabor acre e
cortante do fumo, curto hoje, o novíssimo sabor menta-anis-eucalipto-madeira do
novo Halls hiper refrescante.
Hoje, que sou um homem livre do
desagradável hábito de fumar, tenho muitas outras opções. Como por exemplo, o
mega refrescante sabor tangerina-abóbora do novíssimo Vita-C. Ou, se eu quiser,
posso encher os bolsos e a boca com as coloridas balas de algas marinhas.
Aquelas balas que seja qual for a cor que você colocar na boca, todas tem o
mesmo gosto de bala de goma já mascada. Ou seja, nenhum.
Saí do mundo envenenado de malrboro
diretamente para o país das maravilhas. Agora vivo na casa de chocolate da
bruxa malvada que estava sem cigarros e fumou todos os dedinhos do Joãozinho e da
Mariazinha.
Mas chega de queixas.
Sou um novo homem. Um ex fumante.
Não tenho porque ficar me queixando.
Agora posso ir para um bar com os
colegas, na saída do trabalho, e pedir ao garçon:
- Por favor, um Sonrisal com bastante
gelo e duas pastilhas de Gell’s. Sem maionese, hein?
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