quinta-feira, 23 de novembro de 2017

QUARTO DIA.

sábado, 10/6/2000

Preciso urgentemente matar alguém.
Logo eu que sempre fui o verdadeiro pacato cidadão.
Sinto brotar em mim uma sanha assassina.
Jack, o estripador toma conta de mim.
Acessos de raiva descontrolada.
Se escuto uma música ruim no rádio (que aliás, já repararam? é o que mais toca, ou só o que toca.) sinto ganas de atirar o aparelho contra a parede.
Se alguém, distraidamente ou por acaso me olha, surge em mim uma tempestade de raiva.
Acham que eu exagero?
Pois hoje pela manhã rosnei para o carteiro, só porque ele disse que não havia cartas pra mim. Tomei aquilo como uma ofensa grave. Arreganhei os dentes para o pobre funcionário público. O coitado nem entendeu o que estava se passando. Ele está habituado a lidar com os cães do seu itinerário. Apenas se protegeu com a bolsa cheia de cartas e tratou de escapar. Foi andando lentamente de costas. Atento as minhas reações e pronto para correr ao primeiro latido de minha parte.
A julgar pelo tamanho que seus olhos ficaram, posso jurar que ele saiu bastante assustado.
Mal sabe ele que escapou ileso somente porque não era noite de lua cheia. E graças ao esforço sobre humano que eu fiz pra controlar a vontade de atacar o homem. Latir pra ele e pular na sua canela com a fúria de um pitbull.

Certamente os vizinhos apavorados teriam que chamar os bombeiros para me desgrudar da canela triturada do carteiro.

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