sábado, 10/6/2000
Preciso urgentemente matar alguém.
Logo eu que sempre fui o verdadeiro
pacato cidadão.
Sinto brotar em mim uma sanha
assassina.
Jack, o estripador toma conta de mim.
Acessos de raiva descontrolada.
Se escuto uma música ruim no rádio (que aliás, já repararam? é o que mais toca,
ou só o que toca.) sinto ganas de atirar o aparelho contra a parede.
Se alguém, distraidamente ou por acaso
me olha, surge em mim uma tempestade de raiva.
Acham que eu exagero?
Pois hoje pela manhã rosnei para o
carteiro, só porque ele disse que não havia cartas pra mim. Tomei aquilo como
uma ofensa grave. Arreganhei os dentes para o pobre funcionário público. O
coitado nem entendeu o que estava se passando. Ele está habituado a lidar com
os cães do seu itinerário. Apenas se protegeu com a bolsa cheia de cartas e
tratou de escapar. Foi andando lentamente de costas. Atento as minhas reações e
pronto para correr ao primeiro latido de minha parte.
A julgar pelo tamanho que seus olhos
ficaram, posso jurar que ele saiu bastante assustado.
Mal sabe ele que escapou ileso somente
porque não era noite de lua cheia. E graças ao esforço sobre humano que eu fiz
pra controlar a vontade de atacar o homem. Latir pra ele e pular na sua canela
com a fúria de um pitbull.
Certamente os vizinhos apavorados
teriam que chamar os bombeiros para me desgrudar da canela triturada do
carteiro.
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