terça-feira, 21 de novembro de 2017

QUARTO DIA.

quinta, 20/7/2000

Acordei às cinco e dez.
Levantei correndo e fui até a porta. Espiei pelo olho mágico pra ver se os cigarros tinham ido embora.
Acontece que no mesmo momento que olhava pelo buraquinho redondo do olho mágico me dei conta que não sabia para o quê nem para onde estava olhando.
Mesmo assim fiquei um tempo olhando para o vazio.
Senti vontade de ir ao banheiro.
Fui até lá e fiquei parado em frente a pia com uma cara de abobado olhando fixamente para minha imagem refletida no espelho pensando... em quê?
O que eu queria mesmo no banheiro? Não sabia mais.
O interfone tocou, andei até a cozinha e fiquei parado na frente da geladeira fechada tentando lembrar porque eu havia ido até a cozinha.
Quando vi estava na sala na frente da estante olhando para a tv desligada.
O interfone tocou outra vez.
Lembrei imediatamente o que eu tinha ido fazer na cozinha: atender o interfone.
Andei em direção a cozinha, mas no meio do caminho, no corredor parei para juntar uma coisa do chão mas quando estava abaixado não sabia mais o que estava fazendo ali nem porque eu havia me abaixado.
Então voltei ao banheiro, vi que a torneira estava aberta e estranhei.
Estendi a mão para fechar a torneira, virei às costas e fui direto para meu quarto pensando em pegar uma roupa para tomar banho antes do café da manhã.
O interfone tocou pela terceira vez.
Quando dei por mim estava outra vez diante da geladeira aberta. Para não perder a viagem fiz uma boquinha. Enquanto mastigava fiquei olhando para dentro dela, mas algo em mim sabia que não era isso que eu queria fazer.
Fechei a geladeira e andei até o corredor. Parei sem saber para onde ir.
Automaticamente andei até o quarto e quando cheguei não sabia o quê estava fazendo ali. Ouvi um barulho de água correndo. Lembrei da torneira aberta no banheiro.
Voltei até a cozinha e atendi o interfone. Não tinha ninguém. De novo o barulho de água correndo.
Fui até o banheiro e abri a torneira do chuveiro. Lembrei da toalha e fui até a dispensa e peguei a vassoura. De novo a água correndo. Seria chuva? A torneira da pia.
Encontrei-me no quarto com a toalha de banho na mão.
Deitei e dormi a manhã inteira.
Estava livre da insônia.

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