quinta-feira, 01/06/2000
Capitulei.
Ontem não agüentei.
Nem anteontem.
Mas agora é pra valer. Guerra total ao
vício! Tolerância zero.
Atenção: Central chamando todos os
carros: executar uma batida completa no apartamento 1607 do número trezentos e
sete da Av. Radial Sul. Não deixem escapar nada.
Botei uma tira de pano na cabeça. Disfarçado
de Rambo comandei eu mesmo as operações de busca e apreensão.
Remexi todas as gavetas, armários,
bolsos, cantinhos e mocós. Recolhi dois maços de Marlboro fechados. Cinco
carteiras de marcas variadas pela metade. Sete cigarros inteiros e onze baganas
aproveitáveis. Na certa foi algum sabotador colocou as baganas em lugares
estratégicos dentro do meu apartamento. Queimei tudo sem dó nem piedade bem na
minha cara. Aspirei tanto aquela fumaça que fui obrigado a fumar uma baganinha
levemente chamuscada.
Não devia ter feito isso. O fato de
ter fumado uma mísera bituca que não rendeu mais do que duas tragadas foi o
suficiente para que meu organismo inteiro reclamasse exigindo mais. Não é
brincadeira.
Só mesmo um ex-viciado, ou alguém que
já tentou livrar-se de algum vício, pra entender sobre as sensações que estou
falando.
Fiquei enlouquecido. Revirei a casa de
pernas para o ar procurando desesperadamente nem que fosse um toquinho de
cigarro, um filtro. Nada.
Depois de comer uma lata de Nescau,
uma caixa de leite condensado e dois pacotes de biscoitos recheados, fui
obrigado a sair e comprar um maço de cigarros.
Para amenizar minha culpa, decidi não
comprar a marca habitual. Abandonei a terra de Marlboro. Pedi o cigarro mais
light que havia na prateleira. Saí lanchonete com um maço de Klee verde.
Aprovei.
É um cigarro muito saboroso, desde que
a gente fume quatro de uma só vez.
Mas não pensem que desisti, apenas
fica adiado para amanhã.
Ou depois...
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