quinta-feira, 23 de novembro de 2017

PRIMEIRO DIA, DE NOVO.

quinta-feira, 01/06/2000

Capitulei.
Ontem não agüentei.
Nem anteontem.
Mas agora é pra valer. Guerra total ao vício! Tolerância zero.
Atenção: Central chamando todos os carros: executar uma batida completa no apartamento 1607 do número trezentos e sete da Av. Radial Sul. Não deixem escapar nada.
Botei uma tira de pano na cabeça. Disfarçado de Rambo comandei eu mesmo as operações de busca e apreensão.
Remexi todas as gavetas, armários, bolsos, cantinhos e mocós. Recolhi dois maços de Marlboro fechados. Cinco carteiras de marcas variadas pela metade. Sete cigarros inteiros e onze baganas aproveitáveis. Na certa foi algum sabotador colocou as baganas em lugares estratégicos dentro do meu apartamento. Queimei tudo sem dó nem piedade bem na minha cara. Aspirei tanto aquela fumaça que fui obrigado a fumar uma baganinha levemente chamuscada.
Não devia ter feito isso. O fato de ter fumado uma mísera bituca que não rendeu mais do que duas tragadas foi o suficiente para que meu organismo inteiro reclamasse exigindo mais. Não é brincadeira.
Só mesmo um ex-viciado, ou alguém que já tentou livrar-se de algum vício, pra entender sobre as sensações que estou falando.
Fiquei enlouquecido. Revirei a casa de pernas para o ar procurando desesperadamente nem que fosse um toquinho de cigarro, um filtro. Nada.
Depois de comer uma lata de Nescau, uma caixa de leite condensado e dois pacotes de biscoitos recheados, fui obrigado a sair e comprar um maço de cigarros.
Para amenizar minha culpa, decidi não comprar a marca habitual. Abandonei a terra de Marlboro. Pedi o cigarro mais light que havia na prateleira. Saí lanchonete com um maço de Klee verde.
Aprovei.
É um cigarro muito saboroso, desde que a gente fume quatro de uma só vez.
Mas não pensem que desisti, apenas fica adiado para amanhã.
Ou depois...

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