sexta-feira, 17 de novembro de 2017

DÉCIMO PRIMEIRO DIA.

quinta, 27/7/2000

Hoje acordei mal.
Perdão. Desculpem. Não levem a mal.
Sei que este é um livro que pretende ser bem humorado. Quer levar o leitor do sorriso cara-de-bobo à risada inesperada. Como um ronco no teatro que faz o dorminhoco olhar rápido para os lados pra ter certeza que ninguém viu quem foi.
Sei de tudo isso.
Lembram, faz um pouco mais de um mês eu escrevi dizendo que havia descoberto que tava com a síndrome de abstinência e comparei-a com a TPM?
Pois não tava.
AGORA sim eu estou na TPM.
O que eu sentia dias atrás era fichinha. Aquilo era só uma enxaqueca de segundo grau.
Mas hoje, amigos...
Posso chamar vocês de amigos?
Hoje, prezados amigos, sinto muito, mas acordei mal.
Uma tristeza sem fim.
Estou de dar lástima. Coisa de dar dó.
Olhei minha cara no espelho e quase morri de tão cara de morto que eu tô.
Barbudo, pálido, inexpressivo, com olheiras carregadas...
Tô à beira de uma depressão.
Uma vítima de um tremendo infortúnio. Mais pra lá do que pra cá.
Vocês, com certeza, já se sentiram assim alguma vez nas suas vidas.
Aqueles dias que, de cara, você sabe que era melhor não ter saído da cama. Nem ter acordado. Talvez nem ter nascido. Ou, pelo menos, ter nascido pedra. Ou vidro de maionese. Ou qualquer coisa o mais inerte possível. Um ser amorfo.
Ter nascido um cocô. Não, cocô fede.
Tô me sentindo algo menos ainda. Tô me sentindo menos do que um cocô. Um pouco mais invertebrado, mais inodoro e mais... plasta.
Isso muito, muito, muito plasta.
É bem assim que estou me sentindo: um plastão triste.
Com licença, vou chorar um pouco.
Tô muito drepê.
Tô muito down.
Mais tarde, se eu ainda estiver respirando, continuo escrevendo.
Viram só?

Tô melodramático. Não lembra TPM? 

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