quinta-feira, 23 de novembro de 2017

TERCEIRO DIA.

sexta, 09/6/2000

Acordei fumando meu próprio dedo.
Sonhei a noite inteira com cigarros enormes. Gigantescos cigarros que corriam atrás de mim.
- Socorro! Os cigarros estão me perseguindo, eu gritava no sonho.
Alguns deles, mais espertos, disfarçavam-se de inocentes flautas e clarinetas. Mas, quando eu colocava na boca eles se convertiam em cigarros.
Eram cigarros de marcas nacionais e importadas. Todos já vinham acesos. Se atiravam sobre mim. Enquanto uns cigarros me seguravam, outros iam se enfiando na minha boca. Entravam no meu nariz. Nas minhas orelhas. No meu...
Que pesadelo horroroso.
Acordei assustado.
Meus lençóis estavam encharcados de suor.
Levantei da cama, tomei meu chiclé da manhã e liguei pra farmácia da esquina. Sem medo de parecer ridículo encomendei uma chupeta pelo serviço de tele-entrega.
Uso a tele-entrega porque eu ainda não tenho coragem de sair de casa. Sei que vou topas com alguém fumando. Vou ter mil chances de comprar um maço de cigarros.
O entregador da farmácia trouxe seis modelos diferentes. Não consegui escolher e fiquei com todas. A que eu mais gostei parecia uma grande borboleta verde limão com o desenho do Piu-piu no centro.
A princípio foi um alívio enorme.
Meia hora depois começou a me dar ânsia de vômito por causa do gosto de borracha insosso na boca.

É bem verdade que os meus lábios relaxaram toda a tensão. Mas em compensação meus dentes se transformaram em dentes de castor. Em menos de três horas destruí totalmente minha borboleta verde-limão. Destrocei, sem dó nem piedade, o inocente do Piu-piu.   

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