segunda, 29/05/2000
VITÓRIA!
Nesse momento faz exatamente trinta e
dois minutos, quarenta e sete segundos que estou sem fumar.
BRASIIIIIL!!!
Recorde mundial.
É uma sensação incrível. Sinto-me
outra pessoa.
É bem verdade, que não sei o que fazer
com as mãos. Minhas mãos não param um segundo sequer. Se, estão soltas, parece
que voam. Executam mil gestos por minuto. Se eu coloco-as nos bolsos, não param
de coçar minhas pernas. A sensação é de que possuo cinco ou seis mãos ávidas,
ansiosas, verdadeiros tentáculos desordenados e autônomos.
Minha boca, apesar de repuxar um
pouco, não chega a ser um problema, pois estou mascando uns cinco ou seis
chicletes de vários sabores.
A questão mesmo é a seguinte: como vai
ser depois do almoço? Como vou agüentar sem aquele...
Eu sei que não deveria antecipar
problemas, mas como vou ficar sem um cigarrinho depois da refeição? Talvez seja
melhor nem comer. Talvez hoje eu consiga ficar sem comer, mas amanhã? E depois?
A não ser que eu aproveite que estou parando de fumar e pare também de comer.
Viro faquir. Compro uma cama de pregos
e vou me exibir nas praças. Mas isso, só nas praças para não fumantes. Se tiver
um, apenas um engraçadinho fumando, eu fico louco de fome e de vício, devoro o
cara inteirinho e depois fumo seu cigarro.
Bobagem. Acho que estou enlouquecendo.
É claro que vou ter que almoçar. É óbvio que vai me dar vontade de fumar. Então,
certamente usarei toda minha força de vontade e resistirei.
Ou será que não? Fará mal se um fumar
só um cigarrinho? Meio? Quem sabe em vez de parar eu só diminuísse? Fumo seis
cigarros por dia. Não, só quatro.
Uma hora e trinta e nove minutos e eu
estou ficando nervoso com todas estas questões.
Acho que estou capitulando.
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