quinta-feira, 23 de novembro de 2017

PRIMEIRO DIA.

domingo, 28/05/2000

Acordei ainda a 01h45 pm. ainda sob os efeitos alcoólicos da noite anterior. Tempestade em alto mar. Minha cama é um bote salva-vidas jogada violentamente ao sabor das ondas, talvez, com bastante sorte, eu chegue numa uma ilha deserta.
E então, eu, Tom Hanks, pobre naúfrago, tento reconhecer onde estou? Quem sou eu? Quem é esta mulher ruiva que está deitada ao meu lado? Não parece nenhum pouco com a Julia Roberts. Quem me dera. Se fosse a Julia, eu nem levantava da cama. Aliás, no estado em que me encontro não levantava coisa nenhuma.
Heroicamente levanto da cama completamente mareado. Uma dor de cabeça terrível. A coluna vertebral parece ter sido pisoteada por um bando de skin-heads. Um tremendo enjôo no estômago causando ainda um resto de tontura. Uma secura saahárica na boca. Um bafo tão ruim que até parece que eu comi uns quatro ou cinco cinzeiros cheios no final da festa. Não dá mais. Tenho que parar. Vou parar de fumar.
 Aliás, isto já está totalmente decidido.
Mas sempre é bom repetir.
Fui direto ao banheiro. Abri a porta e a luz acendeu sozinha!
Mágica?
Não, eu estava diante da geladeira. Aproveitei e bebi uma garrafa inteira de água.
Dei a volta tropeçando nas roupas atiradas pelo chão, me orientei: terceira porta à direita seguindo pelo corredor.  Escovei os dentes e voltei pra cama.
A ruiva havia sumido!
Esfreguei os olhos, verifiquei embaixo da cama... dentro do guarda-roupa... nada! Desapareceu! Ou será que ela nunca esteve em minha cama? Será isso que chamam de deliriuns tremens?
Automaticamente acendi um cigarro pra pensar no assunto e me dei conta que havia estragado meu primeiro dia sem fumar.
Fui obrigado a adiar.
Não faz mal: amanhã eu paro! Aliás, domingo não é dia de começar a parar coisa nenhuma.

O negócio agora é acender outro cigarro e procurar pela ruiva... ou será que era loira?  

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