quinta, 08/06/2000
Finalmente, o dia de ontem passou.
- Tô invicto.
Nem acredito. Vinte e quatro horas sem
encostar um mísero cigarro na boca.
Por medida de precaução, hoje me tranquei
em casa sem cigarros.
- Não tô pra ninguém.
Não atendo telefone porque a pessoa
pode falar em cigarro. Tô completamente nervoso. Se me deito, tenho vontade de
levantar. Quando tô de pé, quero deitar.
Acho que entrei na menopausa porque
sinto ondas de calor e suadores inexplicáveis.
Minha boca se aperta em pequenos e
quase imperceptíveis espasmos musculares.
Meu poder de concentração é zero.
Trabalhar é fora de cogitação.
Televisão, nem pensar.
Ainda bem que a Família Adams inventou
os chicletes. Boto cinco na boca e masco, mordo, rasgo, trituro... sem tréguas,
sem parar.
Descobri que dormindo não sinto
vontade de fumar. Então tento dormir o máximo de tempo possível. Só que
descobri também que não dá pra dormir todo o tempo por que a gente fica
completamente sem sono. Não dá também porque quando a gente acorda dá uma
vontade de fumar inacreditável.
Tomo litros de água com suco de limão.
Li num livro que é bom pra eliminar a nicotina mais depressa.
E foi numa das minhas idas a geladeira
pra pegar água que eu senti aquele cheiro maldito se infiltrando por alguma
janela, porta ou fresta.
- Era ele.
O cheiro de cigarro. Inconfundível.
Inesquecível. Hollywood, com certeza. Não sei como, mas veio direto no meu
nariz. Fiquei alguns instantes absolutamente seduzido por aquele cheirinho tão conhecido.
Ah... e tão necessário no momento difícil que estou vivendo.
Mas não cedi.
Bati em retirada. Corri para o quarto.
Coloquei um cobertor na janela. Meti um edredon embaixo da porta. Deitei, me
cobri e tentei esquecer aquele cheiro maldito, vicioso, desagradável, horrível,
nojento, nauseante, irritante, asqueroso, repulsivo, repugnante e extremamente...
delicioso.
- Não adianta! Não quero mais fumar!
Rezei três ave-maria e acabei
dormindo. Acordei e dormi de novo.
Um dia este dia tem que terminar.
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